Especialistas defenderam nesta quarta-feira (8) a implementação de políticas públicas integradas para combater a violência econômica contra as mulheres durante audiência na Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher do Congresso Nacional.
Violência Econômica Como Forma de Controle
A professora Kenia de Souza, da Universidade Federal do Paraná, definiu a violência econômica como uma estratégia de controle que inclui restrição de recursos, impedimento de geração de renda e apropriação de bens. "A expectativa de renda acaba sendo menor que o potencial dessas mulheres, pois elas estão em um ciclo de violência", explicou a especialista.
Autonomia Financeira e Quebra do Ciclo
Joana Célia dos Passos, secretária nacional de Autonomia Econômica do Ministério das Mulheres, estabeleceu a conexão direta entre independência financeira e capacidade de enfrentar violências. "Quanto menor a inserção no mercado de trabalho e maior o desemprego, maior a dificuldade de sair desse ciclo de violência", afirmou durante o debate conduzido pela deputada Luizianne Lins (Rede-CE).
Desafios do Mercado de Trabalho
A secretária Lais Wendel Abramo, do Ministério do Desenvolvimento Social, destacou que a desigualdade financeira tem origem na distribuição desigual das responsabilidades de cuidado. Ela mencionou a aprovação da Política Nacional de Cuidados como avanço no reconhecimento da sobrecarga feminina.
Ações Institucionais
Representantes do BNDES apresentaram iniciativas para fortalecer o protagonismo feminino, enquanto acadêmicas criticaram a persistência de posições conservadoras e a baixa representação parlamentar das mulheres. As debatedoras enfatizaram que o enfrentamento efetivo da violência exige articulação entre os três Poderes e a sociedade civil.