Câmara aprova divulgação de imagens de criminosos por estabelecimentos comerciais

17/03/2026 23:30 Central do Direito
Câmara aprova divulgação de imagens de criminosos por estabelecimentos comerciais

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza estabelecimentos comerciais a divulgarem imagens e áudios de pessoas flagradas cometendo crimes dentro de suas dependências. A proposta, que altera a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), será enviada ao Senado Federal.

Detalhes da Proposta

O Projeto de Lei 3630/25, de autoria da deputada Bia Kicis (PL-DF), foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pelo relator deputado Sanderson (PL-RS). A medida estabelece condições específicas para a divulgação das imagens, que deve ter finalidade de identificar infratores, alertar a população ou colaborar com autoridades públicas.

O texto determina que a divulgação não pode expor terceiros não envolvidos na prática criminosa e deve respeitar os princípios da necessidade e proporcionalidade. O estabelecimento responsável pela divulgação deverá registrar boletim de ocorrência e poderá ser responsabilizado por eventual divulgação indevida de imagens falsas.

Justificativas dos Defensores

O relator Sanderson argumentou que direitos como proteção à imagem e privacidade não são absolutos e devem ser compatibilizados com outros valores constitucionais, como segurança pública e repressão a ilícitos penais. Segundo ele, a medida atende a um "apelo amplo e legítimo" de comerciantes que enfrentam furtos e roubos diariamente.

A deputada Bia Kicis destacou que a medida também ajudará a coibir crimes contra mulheres em estabelecimentos como academias, afirmando que "homens violadores, espancadores de mulheres, estupradores e assediadores se submeterão a essa lei".

Críticas e Controvérsias

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) criticou duramente a proposta, alegando que ela mobiliza o medo da população para flexibilizar garantias fundamentais e viola a presunção de inocência. Segundo o parlamentar, a medida estimula a "justiça com as próprias mãos" e pode resultar em linchamentos virtuais e físicos, especialmente contra homens negros e pobres.

A proposta divide opiniões no Congresso, com defensores argumentando sobre a necessidade de fortalecer a segurança pública e críticos alertando para possíveis violações de direitos fundamentais e riscos de discriminação racial.