Câmara aprova projeto antifacção com penas de até 40 anos; vai à sanção

25/02/2026 00:00 Central do Direito
Câmara aprova projeto antifacção com penas de até 40 anos; vai à sanção

A Câmara dos Deputados concluiu nesta terça-feira (24) a votação do projeto de lei antifacção, que estabelece penas mais rigorosas para participação em organizações criminosas e milícias, além de prever apreensão de bens dos investigados em determinadas circunstâncias.

Texto mantém versão da Câmara

O texto aprovado em Plenário mantém a maior parte da versão elaborada pela Câmara no ano passado, rejeitando a maioria das alterações propostas pelo Senado. A proposta segue agora para sanção presidencial.

O relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou substitutivo ao Projeto de Lei 5582/25, do Poder Executivo. O texto tipifica condutas de organizações criminosas e milícias privadas, estabelecendo pena de reclusão de 20 a 40 anos para o crime de "domínio social estruturado". O favorecimento a esse domínio será punido com reclusão de 12 a 20 anos.

Restrições aos condenados

Chamado pelo relator de "lei Raul Jungmann", em homenagem ao ex-ministro da Justiça recém-falecido, o projeto impõe várias restrições aos condenados, incluindo proibição de anistia, graça, indulto, fiança ou liberdade condicional.

Dependentes de segurados presos por esses crimes não terão direito ao auxílio-reclusão. Condenados ou custodiados com indícios de liderança em organizações criminosas deverão ficar obrigatoriamente em presídios federais de segurança máxima.

Taxação de bets rejeitada

Um destaque do PP retirou do texto a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre apostas online para financiar o combate ao crime organizado. A taxação de 15% sobre bets deveria vigorar até 2027, quando entra o Imposto Seletivo da reforma tributária.

Deputados da base governista criticaram a retirada da taxação, que traria cerca de R$ 30 bilhões para a segurança pública, segundo parlamentares.

Debate político

O projeto recebeu apoio tanto da base quanto da oposição, mas com divergências sobre as versões. Deputados governistas elogiaram melhorias feitas pelo Senado, enquanto oposicionistas preferiram a redação original da Câmara.

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