Sindicatos defendem redução da jornada para 40h semanais na CCJ da Câmara

Representantes de sindicatos de trabalhadores defenderam na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados a redução da jornada máxima semanal como estratégia para melhorar a saúde mental e a eficiência dos trabalhadores brasileiros.

Proposta de 40 horas semanais ganha apoio

Na avaliação dos sindicatos, embora o cenário ideal seja a redução das atuais 44 horas para 36 horas semanais, todos apoiam unanimemente a proposta defendida pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho: 40 horas semanais com duas folgas e sem perda salarial.

Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, apresentou dados do "Atlas Comentado da Escala 6x1", revelando que mais de 50% dos trabalhadores sofrem pressão ou assédio e 33% gastam mais de uma hora e meia diária apenas no trânsito.

Burnout e produtividade em debate

Valeir Ertle, da CUT, destacou que a jornada de 44 horas, inalterada desde 1988, contribui para que o Brasil tenha um dos maiores índices de burnout do mundo. "A produtividade por hora trabalhada aumentou exponencialmente com a automação e a IA, mas o ganho não foi compartilhado com a classe trabalhadora", afirmou.

Impactos econômicos questionados

O deputado Paulo Azi (União-BA), relator de duas PECs sobre o tema, questionou os debatedores sobre possíveis impactos na economia e nos custos das empresas. A PEC 8/25 estabelece jornada de 36 horas com escala 4x3.

Casos de sucesso apresentados

Antônio dos Santos Neto, da CSB, apresentou o setor de TI em São Paulo como exemplo prático, que opera há mais de uma década com 40 horas semanais e escala 5x2, resultando em ganhos de produtividade. Francisco Canindé, da UGT, citou estudo britânico com 3 mil trabalhadores, onde 80% dos líderes empresariais consideraram bem-sucedida a transição para 4 dias úteis.