No Dia Mundial do Rádio, celebrado em 13 de fevereiro, a Justiça do Trabalho lança o podcast "Do Oiapoque ao Chuí, a gente tá aqui" e relembra como este meio de comunicação revolucionou a mobilização de trabalhadores ao longo de mais de 120 anos de história.
Era Vargas: direitos trabalhistas chegaram aos lares pelo rádio
Entre as décadas de 1930 e 1950, o rádio consolidou-se como principal canal de informação para trabalhadores urbanos no Brasil. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, criada em 1936, foi protagonista na divulgação de direitos recém-criados como jornada de oito horas, salário mínimo e CLT.
"Getúlio Vargas entendeu desde cedo o poder do meio e projetou o rádio como instrumento central para construir a ideia de brasilidade", explica Ciro Pedroza, professor de Radiojornalismo da UFRN e ex-servidor do TRT-21.
Rádio como ferramenta de resistência mundial
Na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), sindicatos anarquistas controlavam a Rádio CNT-FAI, transmitindo chamadas para greves e ocupações de fábricas. Na Bolívia, entre 1950 e 1980, as rádios mineiras operavam 24 horas garantindo comunicação entre regiões mineradoras durante conflitos trabalhistas.
Nos Estados Unidos, a rádio WDIA (1947) tornou-se marco da representatividade negra, enquanto na Polônia dos anos 1980, o sindicato Solidariedade utilizou transmissões clandestinas para mobilizar trabalhadores sob regime comunista.
TST moderniza comunicação com podcast
A Justiça do Trabalho mantém tradição radiofônica com o programa "Trabalho e Justiça" na Rádio Justiça e inova com o podcast "Do Oiapoque ao Chuí, a gente tá aqui". O primeiro episódio aborda itinerância da Justiça do Trabalho, enquanto o segundo trata de saúde mental e síndrome de burnout.
"O rádio chega onde muitos meios não chegam", destaca Renata Soares, editora de rádio do TST. O podcast está disponível no site do TST, YouTube e Spotify.