Lideranças indígenas cobram criação de Comissão da Verdade na Câmara

Lideranças indígenas cobraram a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. O debate focou na invisibilidade das vítimas indígenas nos relatórios oficiais de anistia.

Violações Sistemáticas Durante a Ditadura

A audiência, solicitada pelo deputado Reimont (PT-RJ), abordou a "dívida insanável" do Estado brasileiro com populações vulnerabilizadas. Familiares e vítimas relataram atrocidades cometidas durante a abertura de rodovias e instalação de mineradoras no período militar.

Elda Diarroi (Kwtija Jiahui), do povo Jauí (AM), relatou que seu povo foi quase extinto durante a abertura da BR-230 pela empresa Paranapanema, restando apenas seis sobreviventes no território. Cleudo Alves de Souza Tenharin denunciou o uso de "bombas e venenos" pelo Exército para expulsar comunidades e facilitar a exploração mineral.

Ausência de Reconhecimento Oficial

O ex-deputado federal Gilney Amorim Viana criticou a falta de reconhecimento formal de indígenas como perseguidos políticos. Segundo ele, a Comissão Nacional da Verdade identificou mais de 8 mil indígenas mortos, mas "não reconheceu um indígena sequer" individualmente para fins de reparação.

Envolvimento Empresarial nas Violações

A subprocuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia Simon, informou que investigações do MPT identificaram o envolvimento de empresas como Volkswagen, Itaipu, Petrobras, Paranapanema e Aracruz em práticas de trabalho escravo e remoções forçadas de indígenas. O padre Ricardo Rezende Figueira reforçou que a ocupação da Amazônia foi um "programa de Estado" que beneficiou grupos financeiros.