O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) esclareceu durante audiência pública na Câmara dos Deputados que não houve alterações nos critérios de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O órgão também revelou estudos para implementar inteligência artificial no processo de avaliação.
Critérios mantidos desde 2009
O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Eduardo Carvalho Sousa, confirmou que a matriz de referência da redação permanece inalterada desde 2009. Segundo ele, o que mudou foi o rigor na identificação de textos produzidos a partir de modelos padronizados.
"Estamos com uma indústria de redações pré-fabricadas, no qual a pessoa só muda algumas frases. O que aconteceu foi um rigor um pouco maior com essas redações pré-prontas", explicou Sousa durante a audiência realizada na quarta-feira (10).
IA para acelerar divulgação
O Inep informou que iniciará uma prova de conceito com empresas de tecnologia para avaliar o uso de inteligência artificial no processo de correção. O objetivo é reduzir o prazo para divulgação da folha espelho e da avaliação pedagógica da redação, atualmente disponibilizadas cerca de 60 dias após as notas oficiais.
Cada redação continua sendo avaliada por dois profissionais independentes, e o sistema encaminha para nova análise quando a diferença entre as notas supera 80 pontos em uma competência.
Estudantes pedem transparência
Representantes estudantis defenderam critérios mais claros para os participantes. A diretora da UNE, Letícia Holanda, alertou sobre a necessidade de controle público na adoção de novas tecnologias: "Sem isso, a IA pode ser prejudicial e reforçar vícios e padrões nas redações".
O presidente da Ubes, Paulo Henrique Viana, sugeriu mecanismos mais simples para contestação das notas, enquanto o Inep informou que o canal oficial para demandas é a plataforma Fala BR.