Especialistas alertam para subnotificação de alunos superdotados no Brasil

01/06/2026 11:00 Central do Direito
Especialistas alertam para subnotificação de alunos superdotados no Brasil

Uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados destacou as principais barreiras enfrentadas por estudantes com superdotação e altas habilidades no sistema educacional brasileiro.

Subnotificação preocupa especialistas

Dados do Censo Escolar revelam uma significativa subnotificação desse grupo em relação ao total de matrículas nas escolas brasileiras. O problema tem raízes profundas e múltiplas causas que impedem a identificação adequada desses estudantes.

Roberta Munique, especialista em atendimento educacional para altas habilidades e presidente do Instituto Raízes, apontou o alto custo dos exames como um dos principais obstáculos. "A família geralmente tem dificuldade de entender o que é a superdotação, sem falar que as investigações médicas são caríssimas. Há avaliações que chegam a R$ 10 mil", explicou.

Impacto social e econômico

A deputada Nely Aquino (Podemos-MG), autora do requerimento para o debate, enfatizou que a falha na identificação prejudica não apenas o estudante, mas toda a sociedade. "Quando o sistema educacional deixa de identificar e atender adequadamente um estudante com altas habilidades, não é apenas aquele aluno que perde. Perdem a família, a comunidade, a escola e o país", declarou.

A parlamentar acrescentou que "cada talento desperdiçado é uma contribuição não dada à ciência, à cultura, à inovação e ao desenvolvimento social e econômico do Brasil".

Jovens talentos pedem reconhecimento

Rafael Kessler, de 12 anos, exemplifica o potencial desperdiçado. O estudante criou a "Fórmula de Kessler" para resolver cálculos complexos após participar de uma olimpíada de matemática. Ele defendeu políticas governamentais específicas: "Assim como existem políticas para apoiar atletas no esporte, o Brasil também precisa investir nos atletas do conhecimento".

Lucas Freitas Vieira, também de 12 anos e medalhista na Olimpíada Internacional de Cibersegurança na China, denunciou a discriminação no ambiente escolar. "Se um aluno com transtorno do espectro autista não faz a cópia ou o dever de casa, os professores não tiram ponto. Já quando um superdotado não faz porque é um sacrifício imenso para nosso cérebro fazer coisas repetitivas e sem sentido, nós somos punidos", relatou.