Parlamentares e representantes de associações de atiradores criticaram nesta terça-feira (5) o que chamam de "paralisia" na transferência de armas entre cidadãos após a mudança do controle desse acervo, do Exército para a Polícia Federal (PF).
Transição gera vácuo operacional
Durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, atiradores cobraram rapidez na normalização do serviço. O debate focou na mudança da fiscalização de armas de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), do Exército para a Polícia Federal.
O deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT), idealizador da audiência pública, afirmou que essa transição gerou um vácuo operacional. "Houve a suspensão do serviço sem que fosse implementado um sistema substituto dentro do Sinarm, o que gerou paralisação de negócios jurídicos lícitos, desvalorização patrimonial dos acervos e insegurança jurídica", argumentou.
PF anuncia novo sistema com inteligência artificial
O coordenador-geral de Controle de Armas de Fogo da PF, Wellington Clay, negou a interrupção total dos serviços. Ele explicou que o órgão adotou o atendimento via e-mail para registrar a passagem de propriedade de armas e anunciou que um novo portal está em fase de testes.
"Desenvolvemos um novo sistema com atestados e análise documental por IA, reduzindo o trabalho manual em cerca de 80%. O primeiro Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) de teste foi emitido no sábado (2)", informou o delegado.
Setor reclama de impacto econômico
Para os representantes dos CACs, as falhas persistem. O presidente da Associação Nacional de Atiradores (Anacac), José Luiz de Sanctes, reforçou que há atrasos reais em outros estados. O deputado Capitão Alden (PL-BA) destacou o impacto econômico: "O setor tem sofrido perdas, não só com o fechamento de clubes e empresas, mas também com empregos que deixam de ser gerados".
A PF também informou que a renovação dos Certificados de Registros de Armas de Fogo, que vencem em julho de 2026, será escalonada pelo mês de aniversário do portador para evitar acúmulo de pedidos.