O deputado Julio Lopes (PP-RJ), coordenador da Comissão Externa sobre Pirataria e "Brasil Legal", criticou nesta terça-feira (24) a falta de consenso entre dados governamentais e do setor privado sobre a dimensão da pirataria no mercado de apostas online brasileiro.
Divergência nos números preocupa parlamentar
Enquanto o Ministério da Fazenda estima que até 70% das apostas já operam no mercado legal, associações do setor apontam que a pirataria ainda domina cerca de metade do mercado. "É um absurdo que haja uma discrepância tão grande entre a visão do governo e a visão dos senhores", declarou Lopes durante audiência pública.
O coordenador-geral de Regulação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), Leandro Lucchesi, esclareceu que a pasta não endossa oficialmente os números citados, oriundos de consultorias privadas. A SPA planeja firmar acordo com o Ipea para obter indicadores mais precisos ainda em 2026.
Impacto bilionário da ilegalidade
Segundo Letícia Ferraz, do Laboratório de Direitos Humanos e Novas Tecnologias, o mercado legal faturou R$ 37 bilhões em 2025, gerando R$ 9,9 bilhões em impostos. Já o mercado ilegal movimenta entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões anuais, representando perdas de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões que poderiam financiar políticas públicas.
Desafios no combate à pirataria
Ana Bárbara Teixeira, da Associação Internacional de Gaming, destacou problemas no controle do sistema financeiro: "A perna que estamos tendo mais problema hoje é como as bets ilegais conseguem ter acesso ao Pix". A Anatel também relatou dificuldades técnicas no bloqueio de sites piratas, que alteram domínios rapidamente para burlar restrições.
O deputado Julio Lopes colocou a comissão à disposição para encaminhar demandas ao Banco Central e outros órgãos, visando maior efetividade no combate ao crime organizado financiado pelas apostas irregulares.