A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta terça-feira (25) os pedidos preliminares das defesas de Jair Bolsonaro e seus aliados no processo que investiga suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. O julgamento provocou reações divergentes entre parlamentares na Câmara dos Deputados.
Oposição questiona legitimidade do processo
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) questionou a isenção dos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin para julgar o ex-presidente. "Temos ministros impedidos e suspeitos que nem sequer poderiam estar julgando Bolsonaro e os outros acusados", afirmou. Este mesmo argumento foi apresentado pela defesa dos acusados e rejeitado pelos ministros do STF.
A deputada Bia Kicis (PL-DF), vice-líder da Minoria e da Oposição, classificou a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, como "arrancada a fórceps". Segundo ela, Cid "fez mais de oito delações, sempre desdizendo o que havia dito".
Base governista celebra julgamento
Do outro lado, parlamentares da base do governo celebraram o início do julgamento. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) declarou que "a democracia brasileira se fortalece com o julgamento de Bolsonaro" e que "os que tentaram golpe não são dignos do nosso respeito, mas receberão hoje o tratamento que devem".
O deputado Airton Faleiro (PT-PA) afirmou que todas as atenções do dia estavam voltadas para o julgamento no STF e que não imaginava "outro resultado que não seja tornar o ex-presidente réu e todo o seu time".
Comparações com outros casos
Deputados da oposição citaram o caso de Débora Rodrigues dos Santos, condenada por participar dos atos de 8 de janeiro e pichar a estátua da Justiça em frente ao STF. Segundo o deputado Alberto Fraga (PL-DF), a Justiça brasileira estaria adotando "dois pesos e duas medidas" no julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Em resposta, o deputado Tadeu Veneri (PT-PR) argumentou que a condenação não se deu apenas pela pichação: "É porque ela esteve acampada nos quartéis, pregou o golpe e falou que queria derrubar o governo". Ele acrescentou que a condenada poderá progredir para o regime semiaberto no final de 2025.
O julgamento do mérito da denúncia está previsto para esta quarta-feira (26), quando será decidido se Bolsonaro e os demais acusados se tornarão réus no processo.