O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, defendeu nesta terça-feira (25) a aprovação do texto no Plenário da Câmara. Segundo o parlamentar, a decisão vai além do aspecto comercial e define o futuro econômico brasileiro.
Acordo histórico após 25 anos de negociações
"Não vamos votar apenas um texto. Vamos votar qual será o tamanho do Brasil no mundo", declarou Pereira ao apresentar seu parecer. O acordo foi assinado em janeiro de 2026, encerrando mais de duas décadas de tratativas iniciadas em 1999.
O relator destacou que as negociações atravessaram diferentes governos, com acordo político firmado em 2019 e retomada decisiva em 2023. "Foi um longo percurso que mostra que uma política de Estado dessa magnitude não se constrói da noite para o dia", afirmou.
Impactos econômicos significativos
O acordo prevê eliminação ou redução de tarifas de importação e exportação entre os blocos. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem 718 milhões de pessoas e PIB estimado em 22,4 trilhões de dólares (aproximadamente R$ 116 trilhões).
Pela proposta, a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens, representando 92% do valor das importações europeias de produtos brasileiros em até 12 anos.
Compras públicas e agropecuária
O texto institui tratamento igualitário entre produtos brasileiros e europeus, mantendo exceções para compras do SUS, micro e pequenas empresas e encomendas tecnológicas. "Os órgãos públicos brasileiros poderão operar em ambiente internacionalizado de licitações", explicou Pereira.
Quanto ao setor agropecuário, o relator manifestou preocupação com salvaguardas europeias para produtos com variação de 5% em volume ou preço. Produtos como milho, açúcar e carne bovina podem ser afetados, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.