O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alertou que o prejuízo causado por irregularidades em empréstimos consignados a aposentados e pensionistas pode superar o rombo de R$ 6 a 7 bilhões identificado nos descontos associativos.
Fiscalização Insuficiente
Durante depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller, na quinta-feira (5), Gaspar criticou a falta de fiscalização adequada. "Nos descontos associativos, o rombo foi de R$ 6 bilhões, R$ 7 bilhões. Aqui [nos empréstimos consignados], não sabemos nem mensurar o tamanho do rombo, porque não tem quem fiscalize", declarou.
O deputado ressaltou que o INSS não possui pessoal suficiente para fiscalizar todos os contratos, realizando apenas verificações por amostragem. Segundo ele, as irregularidades envolvem até mesmo bancos considerados "limpos".
Bancos com Irregularidades
Gaspar apresentou levantamento da Secretaria Nacional do Consumidor identificando as instituições com mais reclamações: C6 Consignado, PicPay, Santander, Crefisa, BMG, Agibank, Daycoval, PAN, Master e Facta. Apesar dos pedidos para convocar os presidentes dessas instituições, C6, PicPay, Crefisa e Santander foram "blindados" e não tiveram os requerimentos aprovados.
Medidas do INSS
Gilberto Waller, que assumiu o instituto em abril de 2025, informou sobre as novas normas implementadas para tornar mais rigoroso o processo de autorização e fiscalização dos consignados. Entre as mudanças estão a exigência de biometria para desbloqueio de benefícios e auditoria externa obrigatória pelos bancos.
Atualmente, são 65,35 milhões de contratos de crédito consignado com 44 milhões de aposentados e pensionistas, liberando mensalmente R$ 5,45 bilhões na economia. O caso do Banco Master exemplifica os problemas: 251 mil dos 324 mil contratos não apresentavam comprovação regular, levando à suspensão do acordo em setembro de 2025.