slot gacor
slot gacor
slot gacor
slot gacor
slot gacor
slot gacor
slot gacor
Novo Plano Nacional de Educação recebe mais de 400 propostas antirracistas para combater desigualdades no ensino

Novo Plano Nacional de Educação recebe mais de 400 propostas antirracistas para combater desigualdades no ensino

A Frente Parlamentar Antirracismo, junto com entidades da sociedade civil e pesquisadores negros e indígenas, entregou formalmente à Câmara dos Deputados o "Caderno PNE Antirracista", documento que reúne mais de 400 propostas coletadas em todo o país. A entrega ocorreu na terça-feira (1º), durante seminário da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários, e visa influenciar diretamente os debates sobre o projeto de lei (PL 2614/24) do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estará em vigor até 2034.

Enfrentamento ao racismo estrutural na educação

O documento propõe a democratização do acesso ao ensino, o reconhecimento da história afro-indígena brasileira e a capacitação de educadores para combater o racismo estrutural. A deputada Carol Dartora (PT-PR), vice-coordenadora da frente parlamentar, destacou as dificuldades enfrentadas por alunos negros no ambiente escolar: "A sua aparência é rejeitada, a sua identidade é minada, a sua cultura é discriminada, a sua religião é demonizada. É tudo isso que acontece na escola todo santo dia".

Dados do Ministério da Educação citados pela parlamentar revelam que pretos e pardos correspondem a 70% dos jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio, a 71% dos analfabetos entre 15 e 39 anos e a apenas 21% dos professores universitários, evidenciando as desigualdades raciais no sistema educacional brasileiro.

Reparação histórica e diversidade cultural

O deputado Moses Rodrigues (União-CE), relator da comissão especial da Câmara que analisa o PNE, compareceu ao lançamento e reconheceu a importância das propostas: "É uma pauta sensível e teremos sim, aqui neste 'Caderno PNE Antirracista', a possibilidade de fazer novas abordagens e discussões no sentido de enriquecer esse Plano Nacional de Educação".

Afonso Gomes, do Coletivo Nacional da Juventude Negra, enfatizou que "a construção de uma educação antirracista não é caridade: é reparação, é justiça, é um dever histórico". Já o historiador Edson de Brito, do povo Kayapó e professor do Instituto Federal da Bahia, criticou a invisibilidade indígena no ensino: "[As escolas] trabalham povos indígenas numa perspectiva de folclore no 19 de abril: é o índio genérico. Mas somos mais de 300 povos diferentes e falantes de mais de 275 línguas diferentes".

Desafios para implementação

Entidades da sociedade civil alertaram já terem identificado 18 emendas à proposta de PNE que seriam frontalmente contrárias à equidade no ensino, inclusive contra a Lei de Cotas. Os palestrantes também criticaram o atraso na implementação das leis 10.639/03 e 11.645/08, que tratam da obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira e indígena nas escolas.

Clélia dos Santos, diretora de políticas de educação étnico-racial do Ministério da Educação, afirmou que o "Caderno PNE Antirracista" traz propostas fundamentais para enfrentar as desigualdades históricas no acesso à educação: "É preciso virar a página de um processo que magoa, machuca e interfere no sucesso pedagógico, educacional e de desenvolvimento desse país como Estado e como nação".

Confira as metas do PNE 2024-2034