Mulheres dedicam 9,6 horas a mais por semana ao trabalho doméstico que homens

Dados do IBGE de 2022 revelam uma disparidade alarmante: mulheres com 14 anos ou mais dedicam em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidado de pessoas, enquanto homens dedicam apenas 11,7 horas - uma diferença de 9,6 horas por semana.

Sobrecarga afeta mais mulheres negras

A desigualdade é ainda maior entre mulheres pretas ou pardas, que dedicam mais tempo a essas tarefas do que as brancas. Estudo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, em parceria com a OIT, confirma que mulheres brasileiras dedicam 9,8 horas a mais por semana ao cuidado não remunerado.

Carga mental invisível no ambiente de trabalho

A juíza Bárbara Ferrito, do TRT da 1ª Região (RJ), relata casos onde mulheres assumem tarefas não oficiais por estereótipos de gênero. "Havia um estereótipo segundo o qual quem limpa banheiro é a mulher", exemplifica sobre uma trabalhadora que limpava sozinha o banheiro do posto.

A psicóloga Milene Tramansoli Resende explica que a sobrecarga vai além do "fazer" - inclui o gerenciamento mental contínuo de casa, cuidado e planejamento. "A comida pronta na mesa não revela toda a cadeia invisível que a antecede", destaca.

Impactos na Justiça do Trabalho

A juíza Mirella Cahu aponta padrões recorrentes nas ações trabalhistas: jornadas extensas, disponibilidade permanente, metas desproporcionais e assédio moral relacionado à maternidade. "Exigir produtividade sem considerar o trabalho de cuidado amplia o risco de adoecimento e exclusão profissional das mulheres", afirma.

A "pobreza de tempo" resulta em menos oportunidades de qualificação e networking, criando um ciclo que perpetua a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e na sociedade.