Governo defende leilões de energia na Câmara; deputados criticam custos

O ministro em exercício de Minas e Energia, Gustavo Cerqueira Ataíde, defendeu nesta terça-feira (2) na Câmara dos Deputados a continuidade dos leilões de energia para garantir o abastecimento nacional. A declaração ocorreu durante debate na Comissão de Minas e Energia sobre as contratações de reserva de capacidade.

Estratégia energética mista

Ataíde explicou que a estratégia governamental combina usinas termelétricas e fontes renováveis para manter a segurança do sistema elétrico brasileiro. "O Brasil, com o crescimento de carga, com o desenvolvimento econômico, com a eletrificação da economia, precisará de todas as fontes energéticas, de todas as tecnologias", afirmou o ministro.

Em resposta aos parlamentares que defenderam tecnologias mais limpas, o ministro anunciou um leilão de baterias ainda para 2026. Segundo ele, o armazenamento será fundamental para dar estabilidade ao sistema e integrar melhor a geração de fontes renováveis à rede elétrica.

Contratação de termelétricas gera polêmica

A contratação de 19 gigawatts (GW) de potência por meio de termelétricas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap 2026) foi o ponto central do debate. O ministro defendeu que o modelo é fundamental para viabilizar a expansão da energia limpa, já que as termelétricas ficam disponíveis sem obrigação de geração por tempos prolongados.

O diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, reforçou que sem essa contratação adicional, a probabilidade de corte de energia aumentaria até 2030. "A contratação é perfeitamente explicada pela necessidade de potência do sistema interligado nacional", declarou.

Deputados criticam impacto tarifário

Deputados criticaram duramente o modelo atual, alegando que ele eleva as tarifas e atrasa a transição energética. O deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES) afirmou que a medida encarece a conta de luz e gera inflação. "O governo está fazendo com que você pague energia mais cara", protestou.

Danilo Forte (PP-CE) alertou para o impacto econômico: "Com esse leilão de capacidade, o brasileiro vai pagar R$ 515 bilhões. Isso onera em 20% o preço da energia na indústria e 10% no consumidor doméstico".

Nova distribuição de custos

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, rebateu as críticas explicando que o novo modelo altera a forma de financiamento do sistema. Antes, o custo era pago exclusivamente pelos consumidores do mercado cativo. Agora, o encargo é redistribuído entre todos os usuários, incluindo indústrias e grandes empresas do mercado livre.

"A segurança que era paga pelo consumidor cativo das distribuidoras agora é paga por todos, os autoprodutores, os grandes consumidores e os consumidores cativos", explicou Prado, destacando a diluição do impacto tarifário.