Câmara debate desafios de mães atípicas no Dia Mundial do Autismo

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene nesta terça-feira (31) em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. O evento destacou os desafios enfrentados pelas mães atípicas e a necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas.

Depoimentos revelam sobrecarga das mães atípicas

A enfermeira carioca Bruna Esteves compartilhou sua experiência sobre a pressão física e mental constante. "Para uma criança autista poder caminhar, evoluir, ela precisa de uma mãe que também receba o suporte necessário", destacou durante seu depoimento.

Simone Andrade, presidente da Associação Desenvolve no Espectro, enfatizou que "as mães atípicas não podem ser romantizadas, e sim cuidadas", alertando para a necessidade de suporte adequado a essas famílias.

Deficiências no atendimento público

Dirigentes de instituições especializadas no cuidado de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) relataram a insuficiência de recursos financeiros. Segundo elas, as longas filas de espera existem porque o Estado não consegue oferecer médicos e terapias em quantidade adequada.

Outro problema grave mencionado foi a escassez de mediadores para acompanhar crianças autistas nas escolas públicas, comprometendo o processo de inclusão educacional.

Proposta de agenda legislativa específica

A deputada Chris Tonietto (PL-RJ), que presidiu a sessão, anunciou que sugerirá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a criação de um período específico para votação de projetos relacionados ao autismo.

"Que no mês de abril a gente possa selecionar os projetos de lei que estão maduros para votação, para que a gente possa aqui no Plenário votar e aprovar de forma consensuada", propôs a parlamentar.

Revisão do BPC é reivindicada

A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) defendeu a retirada da condicionalidade de renda para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) por pessoas com autismo. Atualmente, é necessário comprovar renda familiar inferior a R$ 405,25 por pessoa.

A sessão reforçou a importância de políticas públicas mais abrangentes e do reconhecimento das necessidades específicas das famílias que convivem com o autismo no Brasil.