Câmara critica ausência da Âmbar Energia em debate sobre apagões no Amazonas

A ausência de representantes da concessionária Âmbar Energia marcou negativamente a audiência pública realizada na última terça-feira (30) pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. O debate tratou da qualidade do fornecimento de energia elétrica no estado do Amazonas após a transição do controle da Amazonas Energia para a nova concessionária.

Convocação anunciada após recesso parlamentar

O deputado Fausto Júnior (União-AM), autor do requerimento para a realização do evento, criticou duramente a falta de diálogo da empresa, que enviou apenas um ofício em resposta aos questionamentos. "Após o recesso parlamentar, vamos encaminhar a convocação da empresa para expor o plano de ação", afirmou o parlamentar, prometendo exigir transparência nos serviços prestados à população amazonense.

Aneel cobra plano de ação até meados de julho

O superintendente de Fiscalização da Aneel, Giácomo Almeida, detalhou as novas exigências legais impostas à concessionária. Segundo ele, a Âmbar Energia tem até meados de julho para apresentar medidas urgentes de melhoria operacional. "O processo será público. Vamos fazer uma nota técnica e avaliar o que está bom e o que não está", garantiu. A agência reguladora informou que os consumidores do Amazonas enfrentam, em média, 41 horas sem luz por ano, e prometeu cobrar mensalmente a compra de equipamentos e a contratação de equipes de manutenção.

Apagões afetam hospitais, escolas e famílias vulneráveis

O defensor público-geral do Amazonas, Rafael Barbosa, relatou casos de hospitais e escolas do interior que interrompem atividades durante os apagões, cobrando um cronograma transparente de metas e responsabilização real da empresa. O deputado estadual Mário César Filho criticou o cancelamento das negociações de dívidas antigas pela nova gestão. "O amazonense tem que optar se vai pagar a conta de energia ou se vai encher a geladeira", lamentou, alertando que a alta tarifa agrava o endividamento das famílias mais vulneráveis.

Sistemas isolados e energia renovável

O coordenador do Idec, Lourenço Moretto, alertou para a situação crítica dos municípios do interior, ainda dependentes de usinas termelétricas movidas a diesel. Ele sugeriu investimentos em fontes de energia renovável para regiões mais afastadas e cobrou o cumprimento das metas do programa federal Luz para Todos, cujas ligações elétricas seguem atrasadas em diversas comunidades rurais. Representantes do Ministério Público estadual, Procon, setor de comércio e trabalhadores urbanitários também participaram da reunião, comprometendo-se a fiscalizar de perto a qualidade do novo serviço.