O Ministério de Minas e Energia defendeu na Câmara dos Deputados a necessidade de manter os investimentos em exploração de petróleo e gás natural, mesmo durante a transição para fontes energéticas menos poluentes. A posição foi apresentada em audiência da Comissão de Indústria e Comércio no dia 12 de agosto.
Risco de dependência externa a partir de 2040
Carlos Agenor Cabral, diretor da área no ministério, alertou que o Brasil pode voltar a ser importador de petróleo a partir de 2040 caso não invista em novas fronteiras exploratórias. "O Brasil não pode deixar o luxo de ser autossuficiente", afirmou o diretor, destacando que o mundo continuará precisando de petróleo até 2050.
Atualmente, o Brasil ocupa a oitava posição mundial na produção de petróleo bruto, com projeção de alcançar o quarto lugar em 2031. Em 2024, a produção diária média foi de 3,3 milhões de barris, enquanto as reservas totalizaram 16,8 bilhões de barris, crescimento de 6% em relação ao ano anterior.
Investimentos em novas fronteiras exploratórias
O ministério destacou a importância de investimentos nas bacias de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e na Margem Equatorial, que inclui a Bacia do Rio Amazonas. Esta última região possui estimativas de reservas de 10 bilhões de barris, com potencial para investimentos de US$ 56 bilhões e arrecadação estatal de US$ 200 bilhões.
Pedro Alem, gerente de política industrial do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), reforçou os riscos fiscais caso o país não encontre novas reservas. "Enfrentaremos um problema fiscal muito pior do que o potencial problema de comércio exterior", advertiu.
Matriz energética com baixo carbono
Cabral argumentou que a produção nacional já apresenta baixas emissões de carbono (10 kg a 13 kg CO2e/boe) comparada à média mundial (19 kg CO2e/boe). O Brasil também possui compromissos com tecnologias de descarbonização e sequestro de carbono para atingir neutralidade até 2050.
O Ministério do Desenvolvimento mapeou investimentos de R$ 3,8 trilhões para o setor energético até 2034, sendo R$ 2,5 trilhões destinados a petróleo e gás, R$ 260 bilhões em combustíveis do futuro e R$ 130 bilhões em eletromobilidade.