Guerra no Oriente Médio provoca cancelamento de 3,5 mil voos no Brasil

A guerra no Oriente Médio continua impactando diretamente o setor aéreo brasileiro. Mais de 3,5 mil voos foram cancelados no país em maio devido ao aumento do preço do querosene de aviação, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A previsão é ainda mais preocupante: outros 2,6 mil voos devem ser cancelados em junho.

Impactos regionais e medidas emergenciais

Durante audiência na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o gerente de Acompanhamento de Mercado da Anac, Luiz Fernando de Abreu Pimenta, tranquilizou sobre o abastecimento: "Apesar da redução da malha aérea, nenhum destino deixou de ser atendido pelo transporte aéreo. Também não há risco de desabastecimento".

Contudo, houve redução significativa de rotas regionais. Os estados mais afetados incluem Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais, conforme informou Isabella Pozzeti, do Ministério do Turismo.

Programa da Petrobras ameniza alta dos preços

Para mitigar os efeitos da crise, a Petrobras implementou um programa temporário de parcelamento. O gerente Thiago Dias de Oliveira explicou que o reajuste de abril ficou limitado a 18%, enquanto em maio chegou a 28% em relação aos preços de março. "A diferença continua parcelada em seis vezes, com primeira parcela prevista para julho de 2026".

O governo também suspendeu a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até maio, medida que a Abear defende ser prorrogada até dezembro. O Brasil importa até 30% do querosene consumido domesticamente, o que explica a vulnerabilidade aos choques externos.

Comparação internacional favorável

Apesar dos desafios na aviação, outros combustíveis tiveram impacto menor no Brasil. Segundo Edie Andreeto Jr., do Ministério de Minas e Energia, "o impacto no preço da gasolina foi de 5,9%, enquanto o país mais afetado registrou alta de 56,3%. O Brasil teve o segundo menor impacto mundial, atrás apenas da Espanha".

O deputado Felipe Carreras (PSB-PE) criticou a ausência do Ministério da Fazenda no debate e anunciou que pretende convocar os ministros da Fazenda e Casa Civil para apresentar soluções definitivas ao problema.