Estudos revelam violência política digital sistemática contra mulheres negras no Brasil

Dois estudos inéditos sobre violência política de gênero foram apresentados na Câmara dos Deputados, revelando dados alarmantes sobre a violência sistemática contra mulheres na política brasileira, especialmente no ambiente digital.

Violência Digital Coordenada e Sistemática

A pesquisa do Instituto Marielle Franco, "Regime de Ameaça: Violência Política de Gênero e Raça no Âmbito Digital", demonstra que a violência política nas redes sociais não é casual, mas coordenada e sistemática. Os dados revelam que 71% das ameaças envolvem morte ou estupro, enquanto 63% das ameaças de morte fazem referência direta ao assassinato de Marielle Franco.

O estudo identifica um padrão simbólico violento que transforma o feminicídio político de Marielle em uma advertência brutal direcionada às mulheres negras que buscam participar do poder político.

Perfil das Vítimas e Necessidade de Ação

As principais vítimas são mulheres negras cis, trans e travestis, LGBTQIA+, periféricas, defensoras de direitos humanos, parlamentares, candidatas e ativistas. Luyara Franco, diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, enfatizou a necessidade de implementar efetivamente o Plano Nacional Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça.

Falta de Condenações Definitivas

O Monitor de Violência Política de Gênero e Raça 2025, do Instituto Alziras, revelou que em quatro anos de legislação específica, ainda não houve nenhuma condenação definitiva. Michelle Ferreti, diretora do instituto, destacou que "quando as mulheres são vítimas, a democracia também é vítima".

Apesar das mulheres representarem 52% da população brasileira, elas ocupam menos de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados, evidenciando a sub-representação feminina na política nacional.