Integrantes do Conselho de Comunicação Social (CCS) e debatedores convidados alertaram, em reunião na segunda-feira (4), para as crescentes ameaças sofridas por jornalistas no Brasil. O encontro também destacou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio.
Violência diária contra profissionais
Para a presidente do colegiado, Patrícia Blanco, a data serve para ressaltar as preocupações dos profissionais de comunicação, que "sofrem e vêm sofrendo violências diárias de todos os tipos". A declaração reflete um cenário preocupante para o exercício do jornalismo no país.
Melhoria no ranking mundial
O secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, João Brant, destacou a melhoria da posição do Brasil no ranking mundial de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Para ele, a melhora é uma conquista da sociedade, mas deve ser motivo de "comemoração comedida".
Brant defendeu um ambiente regulatório capaz de proteger e promover a liberdade de imprensa, citando o ambiente digital como capaz de pôr em risco a sustentabilidade das empresas de mídia.
Assédio judicial em alta
Representando as organizações Repórteres Sem Fronteiras e Coalizão em Defesa do Jornalismo, Bia Barbosa repercutiu dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que apontaram, em 2024, 144 casos de agressões a profissionais de comunicação no Brasil.
Ela alertou para o aumento dos casos de assédio judicial contra jornalistas - uso do Poder Judiciário como forma de perseguição e intimidação. "A gente está falando de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, juízes e senadores agindo contra jornalistas, visando silenciar o trabalho da imprensa", declarou.
Desafios da era digital
O coordenador do setor de Comunicação e Informação da Unesco, Adauto Soares, apontou desafios na governança do ambiente digital, como a disseminação acelerada de desinformação e os discursos de ódio. Ele observou que o índice mundial de liberdade de expressão, medido pela Unesco, caiu 10% desde 2012.
Os conselheiros também manifestaram preocupação com o impacto da inteligência artificial na campanha eleitoral e a atuação de plataformas digitais estrangeiras que não controlam a violência contra jornalistas.