Comissão aprova uso de verba da Zona Franca para bioeconomia na Amazônia

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou proposta que obriga empresas beneficiadas com incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus a destinarem parte de seus investimentos em pesquisa para projetos de bioeconomia na Amazônia Ocidental e no Amapá.

Redirecionamento de recursos já existentes

O texto aprovado é o parecer favorável do relator deputado Lucas Ramos (PSB-PE) ao Projeto de Lei 4845/25, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A proposta não cria novos impostos, apenas redireciona recursos que as empresas já são obrigadas a investir em pesquisa e desenvolvimento.

Atualmente, a Lei de Informática da Zona Franca (Lei 8.387/91) exige que empresas invistam anualmente pelo menos 5% do faturamento bruto em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação na região.

Cronograma progressivo de investimentos

A obrigação de investir em bioeconomia crescerá gradualmente, incidindo sobre a parcela de 2,7% dos recursos de P&D que podem ser usados livremente:

  • 1º ano: 4% dos recursos
  • 2º ano: 8% dos recursos
  • 3º ano: 12% dos recursos
  • 4º ano: 16% dos recursos
  • 5º ano em diante: 20% dos recursos

Foco na sustentabilidade amazônica

O projeto define bioeconomia como modelo de produção baseado no uso sustentável da biodiversidade, incluindo desenvolvimento de novos materiais da floresta, biotecnologia, soluções para agricultura familiar e reaproveitamento de resíduos.

Os projetos serão executados por organizações sociais vinculadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que deverão manter portal na internet com transparência sobre investimentos e resultados.

Próximas etapas

A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões da Amazônia e dos Povos Originários, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e Senado e sancionada pelo presidente.