CPMI do INSS encerra sem relatório aprovado após rejeitar 216 indiciamentos

A CPMI do INSS encerrou suas atividades na madrugada de sábado (28/03) sem aprovação de relatório final, após rejeitar por 19 votos a 12 o documento apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar os trabalhos sem analisar o relatório paralelo dos governistas.

Relatório rejeitado pedia 216 indiciamentos

O extenso relatório de mais de 4 mil páginas concluiu pela existência de núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação bilionária através de descontos não autorizados de aposentadorias e pensões. Gaspar identificou que "o esquema de descontos associativos e empréstimos consignados, todos fraudulentos, cresceu à luz do dia dentro dos sistemas do INSS".

Entre os 216 indiciados estão ex-dirigentes do INSS e Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. O nome mais controverso é Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Governistas apresentam relatório paralelo

O líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou relatório alternativo pedindo 130 indiciamentos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro como "líder dessa organização criminosa". Segundo Pimenta, "não haveria escândalo do INSS, não haveria Bolsomaster sem a participação ativa e o comando intelectual chamado Jair Messias Bolsonaro".

A sessão foi marcada por ataques pessoais entre parlamentares de governo e oposição, com discussões sobre a origem das fraudes e críticas à atuação do STF. Apesar do encerramento sem aprovação, o senador Carlos Viana garantiu que o relatório será enviado aos órgãos competentes para continuidade das investigações.